4. Você está com algum projeto especial pra esse ano de 2011?
Em termos de competições, acho que ficarei apenas com os Masters e alguns eventos especiais que eu for convidado.
De vez em quando tenho vontade de correr um QS, um Brasil Tour, mas vejo cada vez mais que isso pertence ao passado.
Pode ser que até corra algum por Floripa, mas o foco agora é outro, principalmente as barcas de free surfing.
Estou sempre procurando “linkar” uma matéria aqui, outra alí.
E isso vale para qualquer meio de comunicação.
Venho shapeando há dois anos e estou trabalhando demasiadamente em novos modelos de pranchas, modelos que aproveito pra utilizar nas viagens.
Sempre me liguei muito em pranchas e mesmo entendendo do assunto, vivi muito tempo na teoria dos outros.
Agora estou eu mesmo descobrindo as coisas, começando também a criar em cima dos meus experimentos.
Ao final, tudo segue ajudando na evolução do meu surf em caminhos diferentes.
Não em termos competitivos, mas em termos de surfar um onda de forma diferente e com um equipamento diferente.
Uma vez fora das competições, posso testar qualquer modelo de prancha sem me preocupar, posso surfar um mês inteiro com uma fish, um long board, por exemplo, ainda assim, evoluindo outros aspectos.
Ao mesmo tempo que gosto de surfar ondas grandes com pranchas enormes, gosto de surfar ondas grandes com pranchas pequenas, pranchas com colocações de quilhas, larguras, expessuras e tamanhos diferentes.
Sobre viagens, possivelmente irei ao Marrocos em breve e Fernando de Noronha na sequência.
Gostaria muito de viajar pra Jefreys Bay este ano e o México também está nos meus planos.
Mas os planos podem mudar a qualquer hora, pois agora trabalho com liberdade, liberdade de free surfer.
E muita coisa boa pode aparecer a qualquer momento.
5. Como tem sido surfar de biquilha, quais as vantagens que você encherga nessas pranchas?
As biquilhas que venho usando são um pouco diferentes das convencionais, ou seja, aquelas que nos acostumamos a ver, tal como as twins de Mark Richards.
Tenho sim algumas neste estilo, porém o modelo que venho trabalhando é com uma quilha maior que o normal, mas comprida na base e extremidades.
Com a colocação adequada,estes modelos proporcionam um surf na mesma intensidade em uma onda de 1 a 8 pés.
Isso com uma prancha medindo 5’6.
Claro, com largura de 20, 21 de meio e expessura entre 2-1/2, ou um pouco mais.
Não estou atrás no momento de criar algo inédito, porém venho tentando achar novos equipamentos que proporcionem um surf gostoso.
As triquilhas são as mestras, ainda não as troco, mas tem coisa boa sendo usada e rendendo bem.
Seguem os experimentos.
6. Conte um pouco desse tubão que você pegou em Pipe, é sempre complicado surfar lá:
Pra mim sempre foi complicado surfar Pipe.
Antes por causa do crowd, medo e experiência.
Hoje em dia, por causa do crowd e um certo medo, pois mesmo controlado, absorvido pela experiência, ainda há um pouco.
Leia-se, saber onde enfiar a prancha.
Normalmente procuro surfar em dias grandes, dias em que as ondas vem na bancada mais ao fundo, a famosa Banzai.
Nestes dias dá pra pegar mais onda sem ter que se meter o tempo todo no meio do crowd.
Todos os anos acabo pegando algumas ondas boas no pico e esse ano mais uma vez tive a chance de pegar esse belo tubo com uma prancha que eu mesmo desenvolvi e shapeei.
Minha remada é fraca, pois meus braços de rã e pernas de hipopótamo, complicam o embalo.
Logo, faço pranchas mais largas e mais grossas.
Assim ganho em remada e velocidade, o que me ajuda a completar o drop, passar pelo tubo e sair no spray.
7. Deixe um recado pra garotada que está com vontade de ir ao Havaí pela primeira vez.
Quanto mais cedo melhor.
Pois o que vale é ir se habituando.
Os havaianos são criados por lá e, ainda antes dos 5 anos de idade, estão surfando o inside de Haleiwa.
Mas, claro que todo o cuidado é pouco, pois as ondas são extremamente fortes pra carcaças ainda pouco formadas.
Quem tiver condição de ir, vale a pena, mas o principal de viajar ainda criança é a familiarização com o lugar.
Clique e confira a primeira parte da entrevista de Fábio Gouveia.
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