Notícia

Marco Giorgi | Diário de bordo

26.11.2012

O uruguaio conta com um grande repertório de manobras FOTO James Thisted

Engraçada a reação das pessoas quando contava que não iria para o Havaí este ano, que estava afim de dar um role pela Europa e surfar algumas das ondas mostradas pelos meus amigos europeus em fotos e vídeos.

Até deve estar rolando algum papo entre alguns amigos como: “o Marco ficou maluco, está deixando de ir para o Havaí pra ir pra Europa. Ele está doido? Não tem nada lá na Europa, só frio”.

Pra falar a verdade, a parte do frio eles tinham razão. Mas tudo bem, para esta questão trouxe alguns wetsuits novinhos da Mormaii, além de luvas e botas. É bom estar preparado.

No meu ponto de vista não estou louco, pirado e nem maluco, como algumas pessoas falaram. Na verdade estou bastante sano e tranquilo. Não vim para virar algum hippie, mochileiro, ou algo do tipo. Vim para fazer o que me deixa feliz, sair um pouco do itinerário de sempre.

Não estou falando que odeio ir para o Havaí, muito pelo contrário, é um dos melhores lugares do mundo, mas desta vez não quero estar lá. A vibe desta viagem é conhecer lugares novos, ondas desconhecidas, fazer novas amizades, algumas fotos para revistas e meus episódios de surf para a internet.

Estou na casa do Pietro França, filmaker do Benjamin “Sancho” Sanchez. Conheci ele quando ficou hospedado na casa do colega de profissão Loic Wirth. Antes de vir, troquei uma ideia com o Pietro, ele falou: “demorou, pode vir”, aí me joguei.

Saí de Florianópolis, com conexão no Rio e em Paris. Felizmente, a menina do check-in foi super gente boa e deixou levar as pranchas até o destino final, sem precisar pegá-las no Rio e pagar nada. A viagem foi boa, sem atrasos nem voos perdidos.

Desci no Aeroporto de Bilbao, pois alugar carro na Espanha é bem mais barato que na França, aluguei um carro por U$ 650, na verdade já tinha pago antecipadamente pela internet, mas chegando lá me inventaram que deveria pagar mais umas taxas por ter menos de 25 anos de idade, acabei desembolsando mais 150 tristes euros.

Mas tudo bem, peguei o carro e toquei sentido França. Dica: se você vier para cá, não venha sozinho, esta viagem foi bem cara, só nestas duas horas de carro paguei 20 euros de pedágio. Essa é a única coisa triste dessas estradas, que são um lindo tapete, dando para voar com o seu carro alugado.

Os primeiros dois dias de surf foram na Graviere o pico principal de Hossegor, onde todos esperam ter uma oportunidade para pegar onda. Rolaram altas ondas, porém o mar estava um pouco saturado e não me dei muito bem.

Nos próximos dois dias o mar cresceu bastante, tivemos que procurar um lugar mais protegido, há uma hora daqui, numa cidade chamada Bayonne, na praia Le Barre, que tem uns moles, protegendo a praia e formando ondas ajeitadas, com um tamanho ideal pro surf.

Esse dia pegamos altos tubos e acabou sendo o dia mais divertido da viagem até agora, pegamos ondas animais, com aquele sol mágico de final de tarde. Além das filmagens terem ficado alucinantes. Pietro é muito bom cameraman, achou o ângulo perfeito, bem de frente para o tubo, dando para ver todos meus movimentos, com aquela luz alaranjada do pôr-do-sol.

Nos próximos dois dias, rodamos e rodamos de carro sem achar nada porque o mar estava muito grande, coisa que nunca tinha visto acontecer. Aqui nessa época em vez de esperar swell entrar, eles esperam baixar para que aconteçam aquelas bancadas clássicas. Se não só são umas ondas grandes e doidas no meio do mar.

No último dia da semana, o vento diminuiu e o mar estava grande ainda, saímos de carro sentido Sul para tentar achar alguma coisa. Acabou que demos o tiro errado, a maré estava muito cheia e voltamos.

No retorno paramos num pico famoso chamado BBF, chegando lá o mar estava incrível, com tubos grandes pra todos os lados, saí do carro feito louco pra colocar a roupa de borracha molhada no frio do domingo cinzento. Esse surf me mostrou o verdadeiro potencial desse lugar.

Senti-me muito bem, com aquele pensamento: “foi bem isso que eu vim procurar, coisa boa”. Peguei várias ondas boas, tubos e baforadas, além de algumas vacas. Remei muito mesmo, inclusive quando voltei para casa mandei uma mensagem pro meu treinador Marquito, agradecendo os últimos meses de treino.

Hoje, segunda-feira o amanheceu chuvoso, ventando e frio. A previsão dos próximos dias não está das melhores, agora vai ser “internetear” bastante, falar com alguns amigos em Portugal e resolver o próximo destino.

Marco voando alto em Rocky Point, Havaí. FOTO James Thisted

                        

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