{"id":1490,"date":"2016-04-04T13:33:38","date_gmt":"2016-04-04T13:33:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.mormaii.com.br\/site\/?p=1490"},"modified":"2022-06-10T10:20:25","modified_gmt":"2022-06-10T13:20:25","slug":"noticiaso-surf-arte-de-carlos-carpinelli","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mormaii.com.br\/site\/noticiaso-surf-arte-de-carlos-carpinelli\/","title":{"rendered":"O surf arte de Carlos Carpinelli"},"content":{"rendered":"<p>Depois da mat\u00e9ria publicada pela Revista Surfar, que tamb\u00e9m ganhou destaque aqui no&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.mormaii.com.br\/noticias\/2015\/01\/a-arte-inspiradora-de-carlos-carpineli\/#ad-image-0\" style=\"background-color: rgb(255, 255, 255);\">site<\/a>, falando sobre sua arte, conversamos com Carlos Carpinelli, diretor de cria\u00e7\u00e3o da Mormaii, para saber mais sobre sua hist\u00f3ria de vida no surf, principal fonte de inspira\u00e7\u00e3o para suas obras.<\/p>\n<p><strong>Como foi seu in\u00edcio no surf?<\/strong><\/p>\n<p>Foi aos 12 anos, com uma prancha que minha m\u00e3e, que sempre teve um pensamento alternativo e hol\u00edstico, me comprou. Era de fibra de vidro, feita em moldes, sem longarina, uma 5\u201911\u2033. A praia ficava bem perto de casa, eu ia andando pro surf em Praia Grande (SP), \u00e1gua quente e ondas com muito maral (risos).<\/p>\n<p><strong>Quais as lembran\u00e7as mais vivas na sua mem\u00f3ria daquela \u00e9poca?<\/strong><\/p>\n<p>O surf era mau visto pela sociedade em geral, coisa de vagabundo. Os caras que eram do meu bairro e surfavam h\u00e1 mais tempo eram a refer\u00eancia, n\u00e3o haviam filmes de surf, s\u00f3 as revistas. Depois come\u00e7ou a passar na TV o&nbsp;<em>Surf Special<\/em>, na Bandeirantes, e o&nbsp;<em>Programa Realce<\/em>, com not\u00edcias \u201cda gringa\u201d (Hawaii, Europa, Austr\u00e1lia e \u00c1frica do Sul). O cara na \u00e9poca era o Tom Currem, n\u00e3o tinha pra ningu\u00e9m, ele estava muito a frente dos outros, em estilo e linha na onda, foi inspira\u00e7\u00e3o pura!<\/p>\n<p><strong>E na arte, lembra como foram seus primeiros passos?<\/strong><\/p>\n<p>Eu comecei a desenhar para marcas de surf aos 13 anos de idade, pintava uns pain\u00e9is no quarto dos meus amigos, fui aprendendo tentando, at\u00e9 que um dia fui trabalhar com um cen\u00f3grafo e artista pl\u00e1stico incr\u00edvel, chamado Marcos Sacks, onde aprendi realmente a entender a tinta e as pinceladas. Isso mudou minha forma de expressar minha arte, usando uma t\u00e9cnica que vinha do escuro para o claro, possibilitando chegar mais perto do que eu queria representar, ou seja, toda a minha fissura pela arte, pelo oceano e o surf.<\/p>\n<p><strong>Qual a rela\u00e7\u00e3o entre surf e arte?<\/strong><\/p>\n<p>Inspira\u00e7\u00e3o! O surf \u00e9 a maior fonte de inspira\u00e7\u00e3o. Quando fa\u00e7o uma onda quebrando fico imaginando como seria surfar nela, como seria a linha poss\u00edvel \u2013 por dentro, ou rasgando a face \u2013 as cores que aquele visual teria, os reflexos, a luz do sol atravessando a \u00e1gua, o vento terral e como ele movimenta as marolas de superf\u00edcie que refletem o c\u00e9u e transparecem o fundo. Dependendo do \u00e2ngulo em rela\u00e7\u00e3o aos olhos, tudo \u00e9 desafio e inspira\u00e7\u00e3o, elementos que tornam o mar t\u00e3o complexo e lindo que toca nossa alma e cora\u00e7\u00e3o, que fazem um desenho se tornar uma arte.<\/p>\n<p><strong>Acredita que depois de um bom dia de surf a inspira\u00e7\u00e3o flui mais?<\/strong><\/p>\n<p>Depois de um dia de surf \u00e9 perfeito para imaginar, carregar a energia, mas o corpo fica detonado. Prefiro pintar quando estou fissurado pra surfar mas n\u00e3o tem onda ou n\u00e3o posso cair na \u00e1gua, a\u00ed mato a vontade de surfar atrav\u00e9s da arte.<\/p>\n<p><strong>Entre tantas trips, quais picos foram mais marcantes?<\/strong><\/p>\n<p>Mentawaii e Papua Nova Guin\u00e9. Nas Mentawaii peguei as ondas mais perfeitas e sem crowld e na Papua Nova Guine surfei com os nativos em lugares onde o povo ainda \u00e9 muito puro em rela\u00e7\u00e3o ao Ocidente, com crian\u00e7as surfando em peda\u00e7os de pranchas e curtindo as visitas como se fosse um grande evento, um dia especial, me trazendo o sentimento da ess\u00eancia do surf, com alegria e prazer de dividir o mar e as ondas. Realmente especial.<\/p>\n<p><strong>Se pudesse surfar uma onda pelo resto da vida, qual seria?<\/strong><\/p>\n<p>Desert Point eu acho. \u00c9 meu sonho de onda, longa tubular e com uma forma de quebrar que proporciona uma linha muito flu\u00edda e tubos muito longos. \u00c9 o bicho!<\/p>\n<p><strong>Qual a sensa\u00e7\u00e3o de ver seus filhos surfando e seguindo seu caminho?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 um sonho que se realiza. Tento n\u00e3o pression\u00e1-los para surfar e deixo que a vontade venha deles, pois o mar \u00e9 muito perigoso e a iniciativa tem que vir de cada um. S\u00f3 me resta aguardar e dar as oportunidades, quem sabe um dia vamos dividir um lineup em fam\u00edlia, seria demais.<\/p>\n<p><strong>Eles gostam de pintar tamb\u00e9m?<\/strong><\/p>\n<p>Um pouco, eles ainda n\u00e3o tem paci\u00eancia, quem sabe quando estiverem maiores, estarei sempre dispon\u00edvel para incentivar no momento que eles quiserem.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea costuma levar seu material de pintura nas trips?<\/strong><\/p>\n<p>Eu tento, algumas vezes consigo, outras n\u00e3o. Geralmente as trips s\u00e3o muito corridas, pois estou sempre a trabalho e tento surfar nas horas que d\u00e1, ent\u00e3o sobra pouco tempo pra pintar. Mas fotografar tem me ajudado muito a entender a luz dos lugares e tamb\u00e9m ter os registros para depois poder pintar em casa com bastante tempo e inspira\u00e7\u00e3o da viagem.<\/p>\n<p><strong>Gostaria de deixar uma mensagem pra galera que pega onda e quer se aventurar no lado art\u00edstico?<\/strong><\/p>\n<p>Acreditem, fa\u00e7am! Independente de qualquer opini\u00e3o dos outros, ou do mercado, o que conta mesmo \u00e9 o sentimento de realiza\u00e7\u00e3o de algo que a gente sente que pode fazer a diferen\u00e7a na nossa vida e na vida das outras pessoas. Algo que depois de muito tempo ainda vai estar l\u00e1, na mem\u00f3ria ou na web, ou na casa de algu\u00e9m, servindo de inspira\u00e7\u00e3o para surfistas ou quem ama o mar, trazendo mudan\u00e7a na atitude das pessoas. Registrando uma onda que pode deixar de existir, como por exemplo o Pier de Ipanema, que hoje s\u00f3 existe na mem\u00f3ria de quem viveu ou em imagens e artes da \u00e9poca. Ou mesmo criando lugares, ondas, ou manobras que existem ou vir\u00e3o a existir. Fa\u00e7am, vivam a arte e suas experi\u00eancias, boas ou ruins, nunca ser\u00e1 em v\u00e3o, sempre ser\u00e1 uma inspira\u00e7\u00e3o pra algu\u00e9m em algum momento. E, por fim, pode contribuir, mesmo que sutilmente, para um mundo melhor e com mais surf. Aloha!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois da mat\u00e9ria publicada pela Revista Surfar, que tamb\u00e9m ganhou destaque aqui no&nbsp;site, falando sobre sua arte, conversamos com Carlos Carpinelli, diretor de cria\u00e7\u00e3o da Mormaii, para saber mais sobre sua hist\u00f3ria de vida no surf, principal fonte de inspira\u00e7\u00e3o para suas obras. Como foi seu in\u00edcio no surf? 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